A pergunta chega quase sempre igual: «quanto custa um site?». E é uma pergunta impossível de responder no seco, porque é como perguntar quanto custa um carro. Depende se você precisa se deslocar para o trabalho ou transportar cimento.
Mas vou responder, porque a falta de preços públicos no Brasil é justamente o que permite que uma PME pague R$ 40 mil por algo que custava R$ 5 mil. Essas são as faixas que vejo de verdade no mercado brasileiro em 2026, com o que cada uma inclui.
As faixas reais, em reais
Landing page: R$ 2.000 a R$ 5.000. Uma única página longa com sua proposta, seus serviços e um formulário ou botão de WhatsApp. Serve para uma campanha, um lançamento ou um serviço único. Se alguém te cobra R$ 15 mil por isso, está te cobrando a marca da agência, não o trabalho.
Site institucional de 5 a 8 seções: R$ 5.000 a R$ 18.000. Home, serviços, quem somos, portfólio, contato e blog. É o que precisa 80% das empresas B2B brasileiras. A diferença entre o piso e o teto da faixa não é o design: é quanto de conteúdo eles escrevem e quanto você escreve.
Site com catálogo, reservas ou área restrita: R$ 18.000 a R$ 45.000. Aqui já tem lógica de negócio: produtos com filtros, agendamento, login de clientes, integração com CRM. O preço dispara porque precisa testar cada fluxo, não porque tem mais telas.
E-commerce: R$ 35.000 para cima. Com gateway de pagamento, frete, nota fiscal eletrônica e sincronização de estoque. Se for Shopify ou WooCommerce padrão, você fica no piso da faixa. Se precisar integrar com seu ERP, esqueça os R$ 45 mil.
Modelo mensal: a partir de R$ 90/mês. É o formato que mais cresceu nos últimos dois anos. Você não paga o projeto: aluga o site com hospedagem, domínio, suporte e alterações incluídas. Vale a pena se você não tem R$ 7 mil à vista e precisa estar online este mês.
O que qualquer um desses preços deveria incluir
É aqui que as diferenças se escondem. Dois orçamentos de R$ 8 mil podem ser coisas completamente distintas. O que tem que estar, obrigatoriamente:
- Domínio e hospedagem no primeiro ano, com certificado SSL funcionando. Um .com.br custa cerca de R$ 60 ao ano e uma hospedagem decente começa em R$ 30 mensais: se te cobrarem separado e caro, é margem disfarçada.
- Site responsivo. No Brasil, mais de 70% do tráfego B2B vem do celular. Estar bonito no mobile não é um extra, é o trabalho.
- Google Analytics e Search Console configurados. Sem isso você não sabe se o site funciona, e não vai conseguir negociar a renovação com dados.
- E-mails com seu domínio. Continuar usando gmail.com no cartão de visitas te custa vendas B2B que você nunca vai ver.
- Treinamento para editar seu conteúdo. Se cada troca de texto passa pela agência, em dois anos você pagou o site de novo.
As três coisas que encarecem um projeto sem trazer uma única venda
1. As rodadas infinitas de design. Cada rodada de mudanças estéticas soma horas e não move a conversão. Já vi projetos onde 40% do orçamento foi discutindo tons de azul. Defina quem aprova, dê duas rodadas e feche. Design importa, mas o que importa é a hierarquia e a velocidade, não o matiz.
2. A tecnologia superdimensionada. Headless, React, um app personalizado, um CMS próprio «para ser mais rápido». Para um site institucional de oito seções, isso multiplica o custo inicial, te amarra a quem programou e encarece qualquer mudança futura. Se a agência não consegue te explicar em uma frase por que você precisa disso, você não precisa.
3. As funcionalidades que ninguém vai usar. O site em quatro idiomas quando você vende só no Brasil. A intranet para dez pessoas que se falam no WhatsApp. O chat ao vivo que ninguém responde. Cada uma tem custo de construção e, pior, custo de manutenção para sempre.
O site caro não é o que custa mais. É o que você não consegue atualizar sem chamar alguém.
Pagamento único ou mensal?
O pagamento único te deixa o ativo: o site é seu, você migra quando quiser. Mas o custo real não termina ali, porque depois vêm hospedagem, atualizações de segurança e mudanças. Um site sem manutenção se degrada: em dois anos tem plugins vencidos, formulários quebrados e o Google vai te rebaixando.
O mensal resolve isso, mas você precisa verificar duas coisas antes de assinar: se o domínio fica no seu nome e o que acontece com o site se você parar de pagar. Se o domínio não é seu, você não está alugando um site, está alugando sua identidade.
Como pedir um orçamento que você possa comparar
O problema de pedir três orçamentos é que chegam três coisas diferentes e você não consegue comparar nada. Mande o mesmo briefing para todos e exija que respondam ponto por ponto:
- Quantas seções inclui e o que acontece se eu precisar de mais uma.
- Quem escreve os textos e quem cuida das fotos.
- Quantas rodadas de alterações estão incluídas no preço.
- O que inclui o primeiro ano e quanto custa o segundo.
- Em nome de quem fica o domínio.
- Prazo de entrega e o que acontece se atrasar.
- Com o que eu fico se encerrarmos a relação.
O orçamento que não responde o item 5 e o item 7 está te dizendo algo. Escute.
Então, quanto você deveria pagar?
Se você é uma PME B2B que vende serviços e precisa passar credibilidade e aparecer no Google: entre R$ 5.000 e R$ 12.000 no pagamento único, ou o modelo mensal se preferir não descapitalizar. Tudo o que estiver muito abaixo disso provavelmente é um template sem trabalho de conteúdo. Tudo o que estiver muito acima tem que justificar qual integração ou qual volume explica.
E o teste mais simples para saber se o site valeu a pena: em três meses, você consegue dizer quantos contatos chegaram por ele? Se não consegue, o problema nunca foi o preço.
Quer que a gente veja quanto deveria custar o seu caso? Fale com a gente no WhatsApp e te dizemos a faixa em que você está, sem enrolação.
