Se os seus relatórios do Google Ads ou do GA4 mostram números diferentes dos do mês passado sem você ter mexido em nada, não é bug: é o Google mudando as regras do jogo. A partir de meados de julho de 2026, os modelos de atribuição de primeiro clique, linear, redução de tempo e com base na posição deixam de estar disponíveis. Sobram dois: atribuição baseada em dados (data-driven) e último clique.
Tradução prática: a forma como o Google decide qual campanha leva o crédito por cada venda acabou de mudar, e com ela vão mudar os seus números — mesmo que a sua operação continue idêntica.
O que mudou exatamente e em quais datas
- A partir de meados de julho de 2026: conversões novas já não podem usar primeiro clique, linear, redução de tempo nem com base na posição. Só data-driven ou último clique.
- Até setembro de 2026: os quatro modelos somem por completo, inclusive para as conversões que já os usavam. Tudo o que continuar configurado com eles migra automaticamente para data-driven.
- O que fica no GA4: data-driven (o padrão), último clique pago e orgânico, e último clique de canais pagos do Google.
Atenção ao detalhe da migração automática: se você não fizer nada, o Google decide por você. E data-driven é uma caixa-preta — um modelo de IA do Google que distribui o crédito entre pontos de contato segundo padrões que você não consegue auditar.
Minha leitura honesta: bom para o Google, desconfortável para PMEs
O argumento oficial é razoável: modelos de regras fixas — dar todo o crédito ao primeiro clique, ou dividir em partes iguais — são arbitrários, e um modelo treinado com dados reais atribui melhor. Em contas grandes, é verdade.
O problema é a letra miúda para empresas menores. Data-driven precisa de volume de conversões para funcionar bem. Uma PME B2B brasileira que gera 20 ou 30 leads por mês não dá sinal suficiente ao modelo, e o resultado pode ser uma distribuição de crédito errática que muda mês a mês. E como o modelo não é auditável, você não consegue explicar ao diretor por que o número se moveu.
O que vejo nos clientes B2B ainda agrava o quadro: ciclos de venda de 3 a 9 meses, poucas conversões de alto valor, e decisões que passam por WhatsApp, e-mail e reuniões que o Google não enxerga. A atribuição do Google sempre foi uma foto parcial; agora é uma foto parcial que você não pode configurar.
O que revisar nesta semana na sua conta
- Audite suas conversões. No Google Ads: Metas → Conversões → coluna de modelo de atribuição. Identifique quais ainda estão em primeiro clique, linear, redução de tempo ou posição. Essas vão migrar sozinhas para data-driven.
- Exporte a comparação de modelos AGORA. No GA4, o relatório de comparação de modelos ainda mostra como o crédito muda entre último clique e data-driven. Guarde esse export: é a sua linha de base para explicar os saltos que vêm aí.
- Documente seus números atuais. Custo por lead, conversões por campanha, ROAS dos últimos 6 meses. Quando o modelo mudar, você vai precisar distinguir entre mudança real de performance e mudança de medição.
- Decida conscientemente: data-driven ou último clique. Se você tem poucas conversões mensais, último clique é menos elegante mas mais estável e explicável. Se tem volume, deixe data-driven e monitore as primeiras semanas.
- Reforce a sua própria medição. Pergunta de origem nos formulários, registro de fonte no CRM, conversões offline importadas. Quanto menos você depender da caixa-preta do Google para entender de onde vêm seus clientes, melhor.
O ponto de fundo
Toda vez que o Google simplifica a medição, ganha quem tem medição própria. Atribuição perfeita não existe — menos ainda em B2B — mas uma PME que registra no CRM de onde veio cada negócio fechado não depende de qual modelo está na moda este ano. Se essa mudança obrigar você a organizar isso, vai ser a coisa mais rentável que sai de julho.
Não sabe qual modelo convém à sua conta? Revise com calma antes de setembro. E se quiser uma segunda opinião sobre a configuração das suas conversões, fale com a gente — é uma revisão de uma hora, não um projeto.
